Campanha nas redes sociais tenta impedir a vacinação de animais contra a raiva.
É normal, aceitável e compreensível que, depois de todas mortes ocorridas na última campanha a população esteja reticente.
Mas, publicar uma informação incompleta de um animal que supostamente morreu, sem dizer onde e porque, está causando uma comoção e com efeitos de total irresponsabilidade.
Na campanha anterior, logo nas primeiras horas, dezenas de animais começaram a apresentar reações adversas e até óbitos. Ao final do segundo dia já se podia dizer que centenas de animais foram afetados e, depois de muita pressão, a campanha foi suspensa.
Não podemos sequer imaginar, que o Poder Público voltaria a vacinar os animais sem ter absoluta certeza de que a vacina utilizada não apresentaria os mesmos problemas.
O Brasil tem a raiva controlada há décadas. E o fator preponderante para isto é a cobertura vacinal.
Como até agora, oficialmente, não se tem lotes de vacinas produzidas pelos laboratórios Tecpar/Biovet da campanha passada, resolveram adquirir vacinas da Merial e, no estado de São Paulo, apenas 57 municípios receberam as vacinas. O critério utilizado foi de que o município apresentasse casos de raiva nos últimos dois anos. E assim foi feito.
Já estamos no quarto dia da campanha e, segundo informações colhidas, apenas UM animal apresentou reação e o CCZ/SP encaminhou veterinário para acompanhar e não houve óbito.
Reações vacinais são normais e dependem de vários fatores. O animal precisa estar com estado bom de saúde. Qualquer corrimento nasal ou ocular já inviabiliza o uso da vacina.
Mas, mais importante, é de que não podemos ficar mais um ano sem a vacina. Um "vazio vacinal" de até 3 anos é aceitável,mas já estamos no limite. Colocar a vacina oferecida nesta campanha sob suspeita sem um laudo técnico, sem um exame necroscópio, é de uma irresponsabilidade tremenda.
As principais cidades estão com a população de morcegos aumentada e, até se comenta, que eles podem estar se adaptando a luz diurna( isto ainda é passível de comprovação). São eles hoje, o principal vetor de transmissão da raiva. E, lembramos, existem morcegos frugíveros, insetívoros e hematófagos. Todos podem transmitir a raiva.
E, lembramos também, que a raiva não tem cura. Animais e humanos uma vez contaminados vão morrer. Ponto !
Colocar em suspeita todo um trabalho de saúde pública, sem comprovação técnica é atitude irresponsável.
Você não confia na vacina oferecida gratuitamente pelo Poder Público ? É um direito seu mas, lembre-se, a responsabilidade de vacinar o animal é sua. E procure uma clínica ou hospital veterinário. Vacinas são efetivas, quando mantidas em temperatura na faixa de 2 a 8 graus centigrados. O estabelecimento onde ela é vendida, precisa ter sistema automático de gerador de energia, para garantir este acondicionamento correto em 100% do tempo.
Comprar uma vacina " de déz reau" como já lemos hoje e levar para casa para aplicar, é temerário.
Fazer uma campanha de descrédito, como está ocorrendo hoje, não é só uma falácia,.
É uma atitude que beira o crime em nossa opinião.
Fowler T. Braga Filho
Coordenador
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